Quem é o fonoaudiólogo?

O fonoaudiólogo é um profissional de Saúde e Educação, com graduação plena em Fonoaudiologia, que atua de forma autônoma e independente nos setores público e privado. É responsável pela promoção da saúde, prevenção, avaliação e diagnóstico, orientação, terapia (habilitação e reabilitação) e aperfeiçoamento dos aspectos fonoaudiológicos da função auditiva periférica e central, da função vestibular, da linguagem oral e escrita, da voz, da fluência, da articulação da fala e dos sistemas miofuncional, orofacial, cervical e de deglutição. Exerce também atividades de ensino, pesquisa e administrativas (Conselho Regional de Fonoaudiologia - 2° Região).

terça-feira, 13 de março de 2012

Respiração Oral

Respiração é o processo pelo qual o organismo troca o oxigênio e dióxido de carbono com o ambiente.
A respiração pelo nariz é essencial para a nossa saúde. Quando respiramos pelo nariz o ar é filtrado, umidificado e aquecido protegendo assim, as vias aéreas. Respirando pelo nariz podemos também sentir melhor o cheiro e o gosto dos alimentos.
Na respiração oral não ocorre nada disso, sendo a boca uma porta de entrada para infecções e problemas respiratórios.

Os fatores que impedem a respiração nasal são:
- hipertrofia de (amígdalas) e adenóides
- desvio de septo
- rinite
- sinusite
- bronquite

Quando ocorre alguns desses impedimentos há a obstrução das vias aéreas superiores fazendo com que o indivíduo respire pela boca.
Isso traz muitas consequências ruins como hipofunção dos músculos elevadores da mandíbula (a criança fica com a boca aberta), lábio superior curto e retraído, face longa, hipotonia dos órgãos fonoarticulatórios (tônus diminuído dos músculos mastigatórios, lábios e língua) e inadequação das posturas orais, acarretando vários problemas como deglutição incorreta, troca de fonemas na fala, alterações odontológicas como palato ogival (céu da boca profundo e estreito), estreitamento maxilar e alterações da oclusão dentária.




A respiração oral ainda pode causar muitos efeitos na saúde em geral. São observados problemas de postura corporal, de nutrição - a criança é obrigada a comer rápido sem mastigar direito para conseguir respirar, aí ela come muito, ou comer muito devagar e pouco porque tem necessidade de fazer pausas para respirar, já que tem que respirar e comer pela boca ao mesmo tempo, o que gera esforço e cansaço. Elas evitam brincadeiras de correr, jogar bola, porque se cansam muito, o sono é agitado, a oxigenação no cérebro é menor- a criança já acorda cansada e vai pra escola sonolenta ou, por vezes agitada, sem conseguir manter a atenção e concentração e isso lhe acarreta baixo rendimento escolar.
A criança tem aparência de cansada, pálida, apresenta olheiras, mau hálito e há diminuição do crescimento.




Essas são as alterações que podem ser observadas no respirador oral, bastante nocivas por sinal, mas não necessariamente ele vai apresentar todas elas.

É muito importante os pais ficarem atentos, se a criança apresentar algumas dessas manifestações é imprescindível que procure um médico o mais breve possível.

Se for diagnosticada como respiradora oral provavelmente ela irá precisar de acompanhamento médico - otorrinolaringologista e alergista, fisioterápico, fonoaudiológico e ortodôntico.

O trabalho fonoaudiológico nesses casos, tem como objetivo promover qualidade de vida aos pacientes possibilitando a respiração correta.

É realizado um treinamento para ensinar a utilizar o nariz e exercícios para adequar todas as estruturas orofaciais (postura e adequação do tônus da musculatura) e suas funções (respiração, mastigação, deglutição e fala). Esse trabalho auxilia o tratamento ortodôntico, proporcionando assim, um crescimento harmonioso e equilibrado da face.


sexta-feira, 9 de março de 2012

Teste da Orelhinha


Logo que nasce, após 48 horas, todo bebê deve ser submetido ao Teste da Orelhinha ainda na maternidade.

Mas que teste é esse?

Esse exame consiste na colocação de um fone na orelha do bebê acoplado a um computador que emite sons de fraca intensidade e capta as respostas que a orelha interna do bebê produz. Objetiva determinar o limiar da resposta auditiva, pois a análise de seus traçados permitirá caracterizar o tipo de perda auditiva e localização da lesão, caso houver.
É realizado com o bebê dormindo, em sono natural. Não é invasivo, não dói, não machuca e não causa desconforto. Não precisa de picadas ou sangue do bebê, não tem contra-indicações e dura em torno de 10 minutos.
Em nosso meio é atualmente chamado de PEATE ( Potencial evocado auditivo do tronco encefálico) devido a especificidade do termo e por ser uma nomenclatura da língua portuguesa.

A importância de se fazer o exame

Um dos sentidos mais importantes para o desenvolvimento completo da criança é a audição. O bebê já escuta desde bem pequeno, na barriga da mamãe. Isso acontece a partir do quinto mês de gestação, onde ele ouve os sons do corpo da mamãe e sua voz.
Já nesta fase a criança começa a adquirir a linguagem, por meio da audição e da experiência que ela tem com os sons.
Qualquer perda na capacidade auditiva, mesmo que pequena, impede a criança de receber adequadamente as informações sonoras que são essenciais para a aquisição da linguagem.
Usamos o termo "bebês de risco para a surdez" aqueles casos em que já existe um histórico de surdez na família ou naqueles casos que se enquadram na tabela a seguir:
INFECÇÃO INTRAUTERINA - provocada por citomegalovírus, rubéola, sífilis, herpes genital ou toxoplasmose

ANOMALIAS CRÂNIO-FACIAIS - deformações que afetam a orelha e/ou o canal auditivo (p.ex.: duto fechado), fissura lábio-palatina

PESO INFERIOR A 1.500 GR AO NASCER

HIPERBILIRUBINEMIA - doença que ocorre 24 horas depois do parto. O bebê fica todo amarelo por causa do aumento de uma substância chamada bilirubina. Ele precisa tomar banho de luz e em alguns casos fazer exosangüíneo transfusão

MEDICAÇÃO OTOTÓXICAS - uso de antibióticos do tipo aminoclicosídeos que podem afetar o ouvido interno

MENINGITE BACTERIANA - a surdez é umas das conseqüências possíveis quando o bebê tem este tipo de meningite

NOTA APGAR MENOR DO QUE 4 NO PRIMEIRO MINUTO DE NASCIDO E MENOR DO QUE 6 NO QUINTO MINUTO - Todo bebê quando nasce, recebe uma nota, composta por uma avaliação que inclui muitos fatores. Agpa era o nome do médico que inventou o teste.

VETILAÇÃO MECÂNICA EM UTI NEONATAL POR MAIS DE 5 DIAS - quando o bebê teve que ficar entubado por não conseguir respirar sozinho

OUTROS SINAIS FÍSICOS ASSOCIADOS À SÍNDROMES NEUROLÓGICAS - p.ex.: Síndrome de Down ou de Waldemburg

É imprescindível o exame tanto em crianças sem problemas como para os bebês de risco logo ao nascer, para um diagnóstico precoce visando prevenção e os cuidados auditivos. Segundo pesquisas em bebês normais, a surdez varia de 1 a 3 crianças em cada 1.000 nascimentos, já em bebês de UTI Neonatal, varia de 2 a 6 em cada 1.000 recém-nascidos.
Na maioria das vezes, as crianças com perda auditiva e consequente distúrbio da fala e da linguagem devem ser atendidas por uma equipe multidisciplinar composta por pediatras, neurologistas pediátricos, otorrinolaringologistas, fonoaudiólogos e psicólogos. Esse acompanhamento deve ser integral, devendo iniciar-se tanto na fase do diagnóstico quanto na fase de terapia.

Agora é LEI

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei nº 12.303, de 2 de agosto de 2010, que torna obrigatória e gratuita a realização do exame chamado Emissões Otoacústicas Evocadas, mais conhecido como Teste da Orelhinha.

Mamães, exijam o DIREITO de seus filhos, peçam pra fazer o teste logo depois do nascimento do bebê. A intervenção tardia não traz resultados positivos, nem para a criança e nem para a família. O diagnóstico após os 6 meses de vida traz prejuízos inaceitáveis para o desenvolvimento da criança e sua relação com a família e o mundo.

Se for detectada a perda auditiva?

Descobertas recentes têm indicado que as crianças com perda auditiva podem adquirir habilidades de linguagem similar às crianças com audição normal, caso a intervenção ocorra até os 6 meses de idade. Portanto, procure o mais cedo possível um fonoaudiólogo. Ele é quem irá indicar o uso do aparelho auditivo , fazer a seleção do modelo mais indicado para cada caso, consequentemente a adaptação e a (re) habilitação.
Um fator que faz o diferencial para a evolução da linguagem é o grau de envolvimento familiar. Na prática, melhores resultados são obtidos quando se tem o suporte da família no processo de (re) habilitação e na inclusão da criança na sociedade.