Quem é o fonoaudiólogo?

O fonoaudiólogo é um profissional de Saúde e Educação, com graduação plena em Fonoaudiologia, que atua de forma autônoma e independente nos setores público e privado. É responsável pela promoção da saúde, prevenção, avaliação e diagnóstico, orientação, terapia (habilitação e reabilitação) e aperfeiçoamento dos aspectos fonoaudiológicos da função auditiva periférica e central, da função vestibular, da linguagem oral e escrita, da voz, da fluência, da articulação da fala e dos sistemas miofuncional, orofacial, cervical e de deglutição. Exerce também atividades de ensino, pesquisa e administrativas (Conselho Regional de Fonoaudiologia - 2° Região).

sexta-feira, 9 de março de 2012

Teste da Orelhinha


Logo que nasce, após 48 horas, todo bebê deve ser submetido ao Teste da Orelhinha ainda na maternidade.

Mas que teste é esse?

Esse exame consiste na colocação de um fone na orelha do bebê acoplado a um computador que emite sons de fraca intensidade e capta as respostas que a orelha interna do bebê produz. Objetiva determinar o limiar da resposta auditiva, pois a análise de seus traçados permitirá caracterizar o tipo de perda auditiva e localização da lesão, caso houver.
É realizado com o bebê dormindo, em sono natural. Não é invasivo, não dói, não machuca e não causa desconforto. Não precisa de picadas ou sangue do bebê, não tem contra-indicações e dura em torno de 10 minutos.
Em nosso meio é atualmente chamado de PEATE ( Potencial evocado auditivo do tronco encefálico) devido a especificidade do termo e por ser uma nomenclatura da língua portuguesa.

A importância de se fazer o exame

Um dos sentidos mais importantes para o desenvolvimento completo da criança é a audição. O bebê já escuta desde bem pequeno, na barriga da mamãe. Isso acontece a partir do quinto mês de gestação, onde ele ouve os sons do corpo da mamãe e sua voz.
Já nesta fase a criança começa a adquirir a linguagem, por meio da audição e da experiência que ela tem com os sons.
Qualquer perda na capacidade auditiva, mesmo que pequena, impede a criança de receber adequadamente as informações sonoras que são essenciais para a aquisição da linguagem.
Usamos o termo "bebês de risco para a surdez" aqueles casos em que já existe um histórico de surdez na família ou naqueles casos que se enquadram na tabela a seguir:
INFECÇÃO INTRAUTERINA - provocada por citomegalovírus, rubéola, sífilis, herpes genital ou toxoplasmose

ANOMALIAS CRÂNIO-FACIAIS - deformações que afetam a orelha e/ou o canal auditivo (p.ex.: duto fechado), fissura lábio-palatina

PESO INFERIOR A 1.500 GR AO NASCER

HIPERBILIRUBINEMIA - doença que ocorre 24 horas depois do parto. O bebê fica todo amarelo por causa do aumento de uma substância chamada bilirubina. Ele precisa tomar banho de luz e em alguns casos fazer exosangüíneo transfusão

MEDICAÇÃO OTOTÓXICAS - uso de antibióticos do tipo aminoclicosídeos que podem afetar o ouvido interno

MENINGITE BACTERIANA - a surdez é umas das conseqüências possíveis quando o bebê tem este tipo de meningite

NOTA APGAR MENOR DO QUE 4 NO PRIMEIRO MINUTO DE NASCIDO E MENOR DO QUE 6 NO QUINTO MINUTO - Todo bebê quando nasce, recebe uma nota, composta por uma avaliação que inclui muitos fatores. Agpa era o nome do médico que inventou o teste.

VETILAÇÃO MECÂNICA EM UTI NEONATAL POR MAIS DE 5 DIAS - quando o bebê teve que ficar entubado por não conseguir respirar sozinho

OUTROS SINAIS FÍSICOS ASSOCIADOS À SÍNDROMES NEUROLÓGICAS - p.ex.: Síndrome de Down ou de Waldemburg

É imprescindível o exame tanto em crianças sem problemas como para os bebês de risco logo ao nascer, para um diagnóstico precoce visando prevenção e os cuidados auditivos. Segundo pesquisas em bebês normais, a surdez varia de 1 a 3 crianças em cada 1.000 nascimentos, já em bebês de UTI Neonatal, varia de 2 a 6 em cada 1.000 recém-nascidos.
Na maioria das vezes, as crianças com perda auditiva e consequente distúrbio da fala e da linguagem devem ser atendidas por uma equipe multidisciplinar composta por pediatras, neurologistas pediátricos, otorrinolaringologistas, fonoaudiólogos e psicólogos. Esse acompanhamento deve ser integral, devendo iniciar-se tanto na fase do diagnóstico quanto na fase de terapia.

Agora é LEI

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei nº 12.303, de 2 de agosto de 2010, que torna obrigatória e gratuita a realização do exame chamado Emissões Otoacústicas Evocadas, mais conhecido como Teste da Orelhinha.

Mamães, exijam o DIREITO de seus filhos, peçam pra fazer o teste logo depois do nascimento do bebê. A intervenção tardia não traz resultados positivos, nem para a criança e nem para a família. O diagnóstico após os 6 meses de vida traz prejuízos inaceitáveis para o desenvolvimento da criança e sua relação com a família e o mundo.

Se for detectada a perda auditiva?

Descobertas recentes têm indicado que as crianças com perda auditiva podem adquirir habilidades de linguagem similar às crianças com audição normal, caso a intervenção ocorra até os 6 meses de idade. Portanto, procure o mais cedo possível um fonoaudiólogo. Ele é quem irá indicar o uso do aparelho auditivo , fazer a seleção do modelo mais indicado para cada caso, consequentemente a adaptação e a (re) habilitação.
Um fator que faz o diferencial para a evolução da linguagem é o grau de envolvimento familiar. Na prática, melhores resultados são obtidos quando se tem o suporte da família no processo de (re) habilitação e na inclusão da criança na sociedade.

2 comentários:

  1. Muito interessante! Estudo para ser professora de surdos e tudo relacionado a esse meio me interessa. Não sabia como era feito o teste de audição e que podia ser feito tão cedo... Soube de histórias de pais que só ficaram sabendo que o filho era surdo no dia-a-dia, com algum barulho ocasional para o qual a criança não esboçou reação.

    ResponderExcluir
  2. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir

Deixe aqui seu comentário: